A carne é fraca

Texto originalmente publicado em 18 de Março, no Medium

Na moral, vocês já viram churrasco grego? Sabe, aquele colosso de carne besuntada de sebo que fica girando na beira da calçada das ruas e avenidas de São Paulo, sendo temperado com poluição atmosférica e fuligem de escapamento? É servido no pão de ontem, junto com um punhado de salada seca que fica guardada numa gavetinha de madeira em cima do motor do rolete. Sei lá, de repente você não curte, mas vou te falar que na hora do almoço a fila no Grego do Paissandú é maior que no starbucks, não só porque o lanche é uma delícia, mas também porque é a fila de quem não tem muito mais do que três reais no bolso. Agora, faz uma experiência: chega lá e conta pra galera sobre essa novidade aí que a carne que eles estão comendo é de procedência duvidosa. Depois me conta como foi.

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Sobre kufiahs e turbantes

Texto originalmente publicado em 12 de fevereiro, no Medium

Quando voltei da Palestina, me perguntava se deveria usar kufiahs — o lenço que é símbolo da luta de libertação daquele povo. Então, conversei com ativistas palestinos, li vários textos feitos por eles e o que eles me disseram é que, no contexto de luta em que eles se encontram, poderia ser positivo que eu usasse esse símbolo (em situações políticas, e não como adereço fashion ou fantasia de carnaval) porque isso é coerente com o objetivo, ideologia e a estratégia de luta específica daqueles grupos organizados dentro daquele país.

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Nas entrelinhas do discurso contra o discurso de ódio

Discurso de ódio
Quando se fala sobre discurso de ódio, é importante ter em mente que a disseminação de ideologias racistas, xenófobas e extremistas é tão eficiente não apenas por causa de suas manifestações evidentes e caricatas, mas, antes, graças às suas formas mais sutis de manipulação do consenso. As bases do preconceito são fundadas pelos discursos aparentemente neutros e racionais, aqueles com que nos sentimos seguros, como o racismo da versão da História que consta nos nossos livros escolares, a homofobia “amaciada” em formato de piada nos programas de televisão, ou os julgamentos de valor no jornalismo, entre outros discursos com ares de oficialidade, considerados seguros pela maior parte da população. São esses discursos que preparam o solo de nosso imaginário social para a fertilização dos discursos de ódio mais evidentes, caricatos e perigosos. É essa retórica sutil que permite que colonização e xenofobia tenham se chamado de “fardo do homem branco”, ou que tortura e genocídio chamem a si mesmas de “segurança”. É uma fórmula simples e aceitável para a sensibilidade do cidadão de bem.

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Sobre o 11 de Setembro e Consciência de Classe



Em 11 de Setembro de 2001 eu estava no 1º colegial, estudando em uma escola técnica de São Paulo. O colégio, apesar de público, era lotado de playboy, porque pra ingressar era preciso fazer um vestibulinho, e vocês sabem como gente que pode pagar o Bandeirantes gosta de ocupar as vagas dos poucos colégios e universidades com estrutura decente na rede pública.

Eu tinha dois ou três bons amigos da vida vira-lata estudando em outras classes, mas na minha sala me lembro de pouquíssimos filhos da escola pública, e apenas dois elementos mais ideologicamente destoantes dos demais. Um deles era eu, um adolescente cdf anarquista que tomava dois ônibus intermunicipais lotados e chegava atrasado todas as manhãs, com os coturnos imundos do caminho lamacento de Vargem Grande Paulista; o outro era um cdf coroinha comunista da zona leste, que remendava os óculos com durex e falava de amor divino e de luta de classes ao mesmo tempo.
Eu e o Coroinha nunca fomos grandes amigos, e acho que a culpa foi minha. Eu estava naquela fase metalerobesta que muitos entram aos 15 anos e da qual boa parte nunca mais sai, quando começamos a ler meia dúzia de orelhas de livros de filosofia e infernizamos o coleguinha que acredita em alguma forma de deus, recitando os crimes da igreja católica e contradições da bíblia, como se a espiritualidade alheia se resumisse a isso, ou como se a descrença e o deboche tornassem alguém mais inteligente. Anyway…
Nós convivíamos com aquela tensão esquisita, eu e o Coroinha. Não éramos amigos, mas talvez soubéssemos que de certa forma nos entendíamos, porque quase todos os outros colegas de classe estavam muito preocupados com viagens de fim de ano ou a carreira dourada meticulosamente planejada, enquanto nós queríamos mesmo era a destruição do Status Quo vigente, Derby vermelho e talvez um lugar pra almoçar que não cobrasse seis reais por um misto quente. E seguimos assim, uma dose de respeito, uma dose de despeito, até aquela manhã em que Osama Bin Laden sacudiu o mundo com uma mensagem de sentido desconcertantemente ambíguo.
Naquela manhã foi o Coroinha quem chegou atrasado. Ele entrou na classe agitado, interrompeu o professor e disse que os Estados Unidos estavam sendo atacados. Repetiu coisas sobre o World Trade Center e Pentágono em chamas, e nós não sabíamos bem o que estava acontecendo, mas parecia que o Bush estava apanhando, e isso era suficiente. Ele era um menino magricelo, cabelo tijelinha e os óculos grandes demais pra aquele nariz pequeno, mas lembro como ele crescia quando falava sobre as coisas importantes do mundo. Então eu me levantei, e nós nos abraçamos. Na hora, claro, não pensamos nas vítimas, nem em análises de conjuntura política, no medo da possibilidade de uma terceira guerra mundial ou na insensibilidade diante da morte de civis inocentes. Puro instinto. Me lembro de um momento de constrangimento depois daquilo, quando percebi que o resto da classe realmente não partilhava do nosso júbilo camaradístico, e depois o professor nos mandou parar com aquela babaquice e prestar atenção na aula, mas eu não consegui. Acho que ninguém conseguiu, não importa qual fosse a razão.
No dia seguinte, os ânimos mais frios, o mundo estava em luto, chocado com a brutalidade dos ataques que vitimaram tanta gente, e nosso professor de história, um sujeito que deve ter batido muita panela nos ultimos meses, tentou levantar uma pequena discussão sobre a tragédia, preocupado com o estrago emocional que aquelas cenas de prédios implodidos em repeat nos jornais teriam gerado nas mentes jovens. Talvez parte deles tivesse parentes estadunidenses, talvez outros guardassem boas lembranças de algum natal nevado no Central Park, mas acredito que a maioria só ficou mesmo muito chocada com a ideia de que pessoas parecidas com eles pudessem morrer de um jeito violento e injusto em nome de política ou religião.
Hoje entendo que aqueles colegas simplesmente não faziam ideia do porquê eu e o Coroinha reagimos daquele jeito. Hoje entendo, também, que ser anti-capitalista e criticar as posturas imperialistas de um governo assassino que pratica e patrocina terrorismo em todos os cantos do mundo é uma questão de decência e coerência, mas que o governo e os mega empresários dos EUA não representam todo seu povo, e que grande parte daquelas vítimas poderiam ser, também, vítimas daquele mesmo governo, vítimas de racismo, vítimas de machismo, vítimas do capitalismo, que só tiveram o azar de nascerem tortos em uma terra Direita e profundamente desigual.
Sobretudo, hoje entendo as razões que levaram meus colegas, junto com o resto do “Mundo Civilizado”, a chorarem pelos norte-americanos mortos. Meus colegas não eram estadunidenses, e possivelmente boa parte deles só conhecia o país pela televisão – à cabo, claro -, assim como nós não éramos talibãs e na época não conseguiríamos apontar o Afeganistão em um mapa. Acho que é a mesma razão que faz com que o mundo se choque com os doze mortos do Charlie Hebdo e ignore os dois mil mortos pelo Boko Haram na Nigéria na mesma semana, ou se choque com a questão dos refugiados sírios quando um bebê de pele branca é fotografado na praia em uma posição socialmente aceitável, mas não se importem com os outros milhares de refugiados afogados nos mesmos mares nos meses anteriores. É o que faz com que se ignore os índios assassinados por latifundiários ou as crianças negras dormindo na rua, atrapalhando o caminho entre a Sala São Paulo e o restaurante de luxo, mas se solidarizem com o colega que teve o carro roubado. É o que faz alguns serem Deboístas e outros Tretaístas. Uns soltam pombas brancas, outros picham muros. Uns pedem ditadura e aplaudem a polícia, enquanto outros vêem guerreiros da liberdade onde os primeiros vêem terroristas.
Foi meu primeiro e último ano naquele colégio. De lá, nunca mais tive contato com ninguém. Os professores não recebiam muito bem as minhas “controvérsias”, e eu fui colocado de volta no meu devido lugar, junto dos “meus”.
Não adianta dizer que não é uma questão de escolher lados, porque é. São muitos lados. Eu não sou afegão, como não sou indígena, como não sou negro, como não sou sírio, como não sou morador de rua. Eu tenho milhares de privilégios que me aproximam dos meus ex-colegas chocados. Eu sou homem, branco, hetero, universitário. Eu não sofro racismo, não fugi do meu país por causa de guerras e não corro o risco de ser assassinado por uma bomba americana ou pela polícia paulistana. Ainda assim, eu também sabia que não era um “deles”, como eles sempre deixaram claro. Talvez seja essa a primeira diferença, antes de nos darmos realmente conta das estatísticas e fatos históricos, que faz com que você saiba por qual sangue se chora. Mais tarde as coisas deveriam ficar mais claras, e nós fazemos as nossas próprias escolhas sobre o que é certo e o que é errado, mas isso é só mais tarde, e algumas vezes é tarde demais.
No dia 11 de Setembro de 2001 eu tive uma das melhores aulas que a escola já me deu.
 
 
 
P.S.: Nunca é demais reiterar que não, eu não sou Taliban, não comemoro a morte das vítimas do 11 de Setembro norte americano e não estou filiado a nenhuma célula terrorista no presente momento.

Cacos no deserto



Passei um tempo sem escrever neste blog, sem escrever meus diários e sem responder recados (peço desculpas se te ignorei, não foi por mal). Passei muito tempo sem frequentar meus sapatos, o relogio ou o sol que, insensível, insiste em brilhar lá fora.
No começo, parei de dormir. Depois parei de conversar, de tomar água e de sentir o gosto do café e do cigarro. Ceguei para o movimento da música e esqueci o suave do silêncio. Abidiquei do travesseiro, mas os pesadelos não abdicaram de mim. A translucidez inefável da queda sem alvo. Parei de sentir, e nem sequer senti quando se foi.
Não consegui mais ler as notícias do apartheid na Palestina, das cabeças baixas no Egito, do medo em marcha no Brasil, da indiferença na minha casa. Não consegui mais ordenar palavras, transitar idiomas, atravessar a rua.
Não consegui fingir que a distância suspendia o passado, que solidão era sabedoria, que barulho era harmonia, que tinha superado, aceitado, entendido, crescido. Mentir cansa.
Depois, não consegui mais. Não podia sair do bairro, depois de casa, depois do quarto, depois da cama. Senti as artérias das pernas gelarem e o cimento escorrendo grosso por dentro, pesando o passo. O ar escasso, a mente confusa, queria pensar Ordem, pensava Cor, pensava Ruído, pensava Medo, mas dissolveram-se as palavras que represavam a substância, vazando pelos cantos dos lábios, pelas frestas, a substância oleosa invadindo os pulmões, afogando o cérebro, os músculos inundados, rigor mortis mastigando movimento, arame farpado torcendo por dentro pescoço pernas mãos panturrilhas coração. O peito vazio, os ossos frágeis: uma corrente presa por dentro ao tórax oco, costelas arrastadas pra coluna, entortando o esqueleto, carcaça de sucata, ferrugem, fraqueza, rangendo e cedendo, cindindo tempo e espaço entre o ser e o não ser.
Já não podia mais falar outras línguas que não fossem a minha, e ninguém mais falava minha língua, dialeto balbuciado na sintaxe da saudade, tão carente de formas imperativas que não as conjugações negativas da ordem e da forma, subjuntivação descoordenada da morfofagia auto-referencial.
Que falta faz rachar uma pizza na sexta-feira, terapia de vinho e sofá, conversar pelo olhar, comunhão de lutas, comentar o último capítulo da novela. Que falta faz um sorriso soslaiado no vagão do metrô que valesse dois versos vagabundos. Nenhum sorriso que não os congelados, virtuais, estáticos, sem contexto, sem mãos, pré-cozidos, sem som ou sabor. Que falta faz a docilidade do movimento labial de abrir o céu e desassombrar os solitários.
Nada além de fibra ótica e jornalismo sujo.
Nada além de smiles, likes, emoticons e shares.

Nada além dos oceanos e desertos dentro deste passaporte apertado contra o peito apertado.

Acabaram os analgésicos para domesticar o passado latejando na corcunda, rosnando, gritando, metastaseando e ordenando:
Leia-me!
Vista-me!

Mate-me!

Aceite-me!
Seja-me!
Ame

se…
Se fosse tão fácil…
Se fosse tão fácil não seria real.
Se fosse fácil seria fuga, filme da disney, pipoca de micro-ondas, manual de auto-ajuda, comercial de banco, generais fazendo guerra atrás de mesas de mogno.
É uma utopia.

Eduardo Galeano conta que um estudante colombiano perguntou a Fernando Birri pra que servia uma utopia:

A Utopia está no horizonte, e eu sei que nunca vou alcançá-la, porque se caminho dez passos, são dez passos que o horizonte se afasta. A Utopia é inatingível”.

Pra que serve a Utopia?
Pra continuar a caminhar”.
As pernas engessadas, a mente torpe, lágrimas rasgando retinas, aranhas na garganta, o quarto escuro, a cama suja, três dias sem tomar banho, roupas ensebadas, o barulho lá fora.

Lá fora, tempestades de areia embegecendo o horizonte, e os sorrisos plásticos na janela de LCD vomitando as notícias do colapso da civilização.

E aqui dentro…

Aqui dentro cato cacos de utopias nas ruínas que o vento escavou.

Utopias não são fáceis. 

Se fossem fáceis não fariam caminhar, quando é tão mais confortável criar raízes, trancar baús, queimar arquivos, chorar pelo hino nacional, bater cartão de ponto, falar do amor de deus, odiar o próximo como se odeia a si mesmo. É facil negar-se a si mesmo.


Para caminhar é preciso ficar nu, reler bilhetes rasgados, sentir-se ridículo, comer o pão que você amassou no prato em que cuspiu. É preciso estilhaçar-se, engolir os pedaços, deglutir-se, chupar os ossos, ferver as entranhas, regurgitar-se, ler o passado embolorado nos intestinos, cagar para os conselhos seguros.
É preciso fazer luto, beber cachaça e sepultar-se numa história que possa ser contada, dissecada, exposta, vivida, canibalizada em todas as quartas de cinzas. Uma história urna funerária, onde a dor contada e contida seja bela e viva como natureza morta.
Pra continuar a caminhar.


Tão pouco e tanto

[ SPOILER: o post a seguir contém muito mimimi e um pouco de <3 ]
Drummond disse que escrever é triste, e acho que ele estava certo.

Desde que me lembro, a primeira coisa que quis na vida foi ser escritor. Ao longo do tempo, quis ser cientista&escritor, fotógrafo&escritor, vagabundo&escritor, ativista&escritor, escritor&eu. O primeiro conto que me lembro de escrever, aí por volta dos dez-onze anos, era sobre pesadelos de guerra de um soldado. Esse pedaço de papel já não existe faz muitos anos, e devia se parecer muito com os clichés que aprendíamos nos desenhos animados feitos pra vender brinquedos e adestramentos nas manhãs de TV aberta, mas lembro que a sensação foi boa.
Escrevi pilhas de cadernos que mofaram e morreram nas muitas casas que ficaram pra trás. Publiquei um blog de contos, um texto em uma coletânea péssima, uma crônica em uma revista dessas que se distribuem gratuitamente em portas de universidades junto com flyers de baladas e promoções de xerox para estudantes, mas não virei escritor. Estudei Jornalismo e depois Letras, quase como que por consolação, como um desses malucos que perseguem astros do rock pra lamber de suas pegadas as migalhas do talento que sobra a um e ao outro falta. 
Uns com tanto, outros com tão pouco…
Mas o tempo me ensinou que escrever é triste, porque não é sobre livros publicados ou noites de autógrafos. Não digo, com isso, que quem escreve não o faça por vaidade, claro que não. A vaidade é alimento e combustível, e o espírito colhe sua vaidade diária em espelhos e diplomas, carros e cheques, músculos e cabelos pintados de azul, e também em neuroses ordenadas num espaço em branco. Mas a vaidade é triste, ainda que necessária, porque é reboco cuspido sobre rachaduras, áspera e indisfarçável. Defende as fendas do vento, mas não desfaz a ferida. Só disfarça.
Escrever é isso.
Escrever é triste, porque quem escreve soluça silêncios, sangra sozinho numa folha as ânsias e alegrias não ditas em voz, seja por falta de ouvidos, seja por falta de estômago. É o caldo de jornais caminhados, passeios lembrados, memórias relidas, angústias e medos: O Medo de não entender, de não ser entendido, de que os outros não entendam o que você entendeu sobre o que eles talvez nem queiram entender. E então escreve-se, quase como que por consolação. Mais um desses malucos que perseguem palavras como que pra lamber de suas pegadas as migalhas de sentido que sobram às histórias e faltam aos viventes. 
Uns com tanto…
Escrevo como quem caça migalhas. Meus cadernos, tatuados de mim, ordenam sentidos mas não pagam vaidades. Então mostro pra o mundo meus soluços e poemas, análises de conjuntura política e as opiniões que ninguém me pediu, com o mesmo entusiasmo e receio que tive aos dez-onze anos quando mostrei pra minha mãe meu primeiro conto. Um desses malucos que perseguem leitores como que pra lamber de suas pegadas migalhas de compreensão. 
Tão pouco…
Eu queria dizer que não, que não é verdade. Queria dizer que escrevo por um motivo mais nobre, livre de arrogâncias e carências, mas a verdade é que passar os dedos pelo teclado é uma consolação, como se plástico fosse pele e tela fossem olhos. Escrever em cadernos e deixar a poeira germinar é gritar embaixo d’água, enquanto que esse novo mundo de sociedades e amores líquidos concede a concretude do eco na resposta virtual de um clique. É pouco, mas é tanto…
É solitário estar longe, e a lonjura das pessoas não se mede como a das coisas. Não em kilômetros, mas em olhares. Não em metros, mas cervejas no fim da tarde. Não em centímetros, mas em olás, como vai você? 
Tão pouco, mas tão pouco…
Escrever é triste, porque é uma tradução resmungada e imprecisa do que não deveria precisar ser dito, do óbvio ululante pulando aos olhos leitosos de uma catarata de indiferença.
Escrever é triste, como é triste pensar sem dizer, sentir sem beijar, porque é solitário.
Às angustias, ouvidos
Às bocas, beijos
Às palavras, ecos
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Escrevi tudo isso só pra dizer que vocês que leem o que eu escrevo e me dão a concretude do seu eco, seja no blog ou na tela azul, fazem a lonjura de escrever se parecer um pouco mais com olhares, cervejas no fim da tarde e olás, como vai você?, e que as migalhas nas pegadas florescem vaidades e vontades que fazem valer a pena a tristeza de quem escreve.
Tanto…
Escrevi isso hoje porque sou prolixo e não consegui achar outro jeito de contar pra vocês que a Elise, num dos gestos mais bonitos que já fizeram por mim, comprou e me deu de presente o domínio do meu blog, que agora eu digito [descolonizacoes.com.br] e lembro que tem alguns alguéns que se importam com o que eu escrevo, que a sensação é parecida com aquela de quando minha mãe colocou meu primeiro conto na porta da geladeira, como se eu fosse um escritor, e que a sensação é boa.

Escrever é triste, mas nem sempre é de tristeza que a gente chora.