Pérolas aos porcos

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Independente das muitas críticas ao governo PT, sou totalmente contra o Impeachment. Ainda assim, uma parte de mim não pode deixar de querer que Dilma saia. Não por não querer a continuidade do seu governo (e não que eu queira a continuidade DESSE governo), mas porque esses bárbaros não valem a pena o que essa mulher passa.

Dilma redefiniu as concepções brasileiras de linchamento moral. Continue lendo

O papel dos corpos femininos na revolução do Egito

*Texto de Vanessa Bordin
 

Grafites sobre as ativistas feministas egípcias Samira Ibrahim e Alia el Mahdy

Muito tem sido escrito e discutido ultimamente sobre ‘a mulher muçulmana’. Apesar disso, a individualidade e capacidade de agência dessas mulheres não é facilmente reconhecida. É essencial que fique claro que meu objetivo, através deste texto, é fazer uma breve análise, do meu ponto de vista, sobre a presença do corpo da mulher na esfera pública, usando o contexto do Egito. Minha tentativa não é de representar a voz dessas mulheres, muito menos generalizá-las. É preciso saber, portanto, que a situação das mulheres precisa ser analisada dentro de um contexto geográfico específico, considerando diferenças de classe, etnia, religião e orientação sexual, sem deixar de lado fatores políticos, econômicos, sociais e culturais, o que possibilita uma análise contemplativa, mas que, simultaneamente foge de generalizações e essencialismos que tendem a ocultar as diversidades, complexidades e a capacidade de agência dessas mulheres.

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Não, nós não somos as salvadoras das muçulmanas – por Priscila Bellini

Olhando assim, parece uma constatação óbvia. Entretanto, não faltam exemplos de como as feministas ocidentais encaram a vivência de mulheres muçulmanas – em especial, as que estão no “Oriente”, e mais especificamente as mulheres árabes. E falo isso com conhecimento de causa, visto que caí nessa muitas vezes. Eu me lembro claramente de ler, quando tinha meus 12 anos, os relatos sobre o quão opressor era o lado de lá, o quanto as moças estavam rendidas e quietas. Naquela época, li os textos da Ayaan Hirsi Ali e pronto: aquilo parecia suficiente para encarar as muçulmanas como um grupo cuja opressão duraria para sempre, caso não houvesse uma intervenção que fosse. Essa lógica soa familiar, não? Ao colocar essas mulheres como vítimas caladas, que nada protestam, reforçamos um processo de silenciamento e recorremos ao white savior complex – já que cabe à figura branca ocidental salvá-las da barbárie da qual nunca se desvencilharam.

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O machismo ortodoxo na “única democracia do oriente médio”

Escrito por Elena Judensnaider:
 
 
 
O texto abaixo descreve opressões a mulheres por meio do judaísmo ortodoxo que, apesar de restrito a grupos específicos, complementa o machismo secular israelense e serve aos propósitos do projeto sionista. Ele procura contribuir para desconstruir a falsa ideia inabalável da democracia judaica. Contudo, apesar de não discorrer sobre o assunto, parto do pressuposto de que qualquer corrente política que prega a eliminação de outro povo não poderia ser menos excludente. Se as mulheres judias são, por vezes, sexualmente reprimidas, elas podem também representar o agente opressor: as mulheres palestinas são duas, três, quatro vezes menos privilegiadas. Elas sofrem por serem mulheres, por serem muçulmanas, por serem palestinas, por serem pobres. Me ative ao judaísmo porque sou judia e não pretendo falar sobre uma aflição que me é tão distante. Mas aproveito o espaço para prestar solidariedade às mulheres palestinas.
 

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Carta aberta a Carlos Latuff

Latuff machista

Ilustração de Vanessa Monteiro Cunha

Caro Carlos Lattuf,
Eu não escrevo aqui para falar em nome do Feminismo, porque esse papel não me cabe e não tenho esse direito ou capacidade. Eu escrevo essa carta enquanto ativista pela Causa Palestina, pra dizer que não posso aceitar que você use o prestígio que ganha defendendo a palestinos pra atacar mulheres e correntes Feministas.

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