World Hijab Day: Nazma Khan

Texto de Camila Nogueira
Para muitas pessoas, o hijab é um símbolo de opressão e segregação. Buscando esclarecer as controvérsias que cercam as mulheres muçulmanas que optam por usar o hijab, Nazma Khan criou o Dia Mundial do Hijab, celebrado anualmente desde 2013 no dia 1° de fevereiro.

Julgue-me pelo que há na minha cabeça, e não pelo que há sobre a minha cabeça
O objetivo é promover a tolerância religiosa e a compreensão, convidando as mulheres – independente de serem muçulmanas ou não – para experimentar o hijab por um dia.
Um convite aberto para muçulmanas e não-muçulmanas
experimentarem o Hijab por um dia
Nazma se mudou, aos onze anos de idade, de Bangladesh para os Estados Unidos e após sofrer preconceito por ser a única a usar hijab no ensino médio e ser chamada de terrorista na universidade, teve a iniciativa. O movimento é organizado através das redessociais e pelo site oficial.
Desde então, Nazma foi convidada para ser oradora em universidades, escolas e organizações religiosas. Nazma também apresentou o Dia Mundial do Hijab para sobreviventes do holocausto na Kupferberg Holocaust Center, onde ela declarou ter se sentido amada e bem-vinda.
Confira o vídeo* de Nazma contando sua história:

 

* Áudio e legenda em inglês.
Sobre a autora:
Camila Nogueira é estudante de Letras na Universidade de São Paulo. Estuda sobre o Oriente Médio e escreve atualmente no seu blog Sinergia Milenar e no blog Regra dosTerços. Nunca diz tudo o que pensa, mas sempre pensa em tudo o que diz.

Um comentário sobre “World Hijab Day: Nazma Khan

  1. O ARGUMENTO das feministas islâmicas do Brasil

    1-O hijab é contrário aos valores seculares e à libertação das mulheres, dada a sua significação sexista.

    2-A maioria das mulheres, que sofrem por causa do véu, sofrem por conta dos próprios muçulmanos. (Aprisionadas, multadas, assassinadas pelos crimes de “honra”, perseguidas, ofendidas, humilhadas … mesmo no ocidente)

    3-Campanhas como Dia Mundial Do Hijab (Sua criadora é dona de uma empresa de lenços) ou Use o Hijab Por Um Dia, são financiadas e apoiadas por grupos muçulmanos fundamentalistas – como o MSA, criado pela Irmandade Muçulmana – que querem espalhar o islã político ou islamismo no ocidente (assim como ocorre nas teocracias ditatoriais dos países de maioria muçulmana)

    4-Os apoiadores adotam linguagens baseadas no feminismo e direitos humanos na mídia ocidental, mas o que está por trás é apenas a inferiorização/subjugação da mulher, visto que as mulheres usam o hijab (que não significa véu) como uma forma de não tentar o homem com suas formas ou beleza, eliminando, assim, a responsabilidade dos homens sobre o assédio.

    5-A ideia do hijab representa os homens como maníacos sexuais e mulheres como objetos sexuais, vítimas potenciais de agressões sexuais tendo como uma única opção, cobrir o corpo todo e cabelo para não sofrerem perseguição. É também muitas vezes ligado à ideia de “awrah” – nudez-, sendo assim, está proibido mostrar muitas partes do corpo, o que leva a limitar a presença das mulheres no espaço público. Todas essas ideias medievais sobre mulheres tornam-se a base da noção do hijab compulsório para governos fundamentalistas como o do Irã, Arábia Saudita ou os bárbaros do Estado Islâmico.

    6-Essa tática pretende opor-se aos valores fundamentais do secularismo e distinguir visivelmente uma comunidade muçulmana dentro das sociedades ocidentais. Como prova a história, ideologias masculinas, como a religião, sempre tentam ganhar seu poder através da instrumentalização das mulheres.

    7-O hijab – transformado em lei em muitos países – limita a liberdade de milhões de mulheres e leva ao seu abuso. Portanto, os argumentos ingênuos dos defensores do islamismo político ou das feministas muçulmanas (não feministas islâmicas), como eles se denominam; sobre o hijab ser uma roupa como qualquer outro tipo de roupa que a mulher pode optar por usar, é hipócrita. Além disso, é um crime moral alegar que o hijab é uma “escolha” ou “liberdade” para as mulheres muçulmanas, quando milhões de mulheres são forçadas a seguir o código de conduta do hijab em muitos países e comunidades até hoje.

    8-Todo mundo é livre para ter ideias conservadoras e podem até aplicá-las em sua vida privada por escolha (usar um lenço, por exemplo) e qualquer pessoa é ainda livre para expressar seu apoio à dominação masculina sobre as mulheres. Mas não chamem isso de liberdade, e não o disfarcem como feminismo. Feministas podem ter crenças religiosas, mas o feminismo não pode ser religioso. (não acredito que os profetas trouxeram qualquer religião institucionalizada consigo.)

    9-Muitas mulheres, no Irã, Egito, Arábia Saudita, Paquistão e em outros países, com suas lutas constantes contra a moral religiosa imposta em relação a seus corpos, provaram que o hijab não é uma escolha ou uma vestimenta feminista. Seus trabalhos corajosos também podem lembrar ao mundo que o hijab não é “cultural”, para o mundo muçulmano – é político. (O véu não esteve sempre presente nos países de maioria muçulmana. Em governos mais liberais foi tirado e proibido, em governos mais “islamizados” foi imposto com rigor – Em 1919, as mulheres egípcias tomaram as ruas exigindo o direito ao voto, elas tiraram o véu como um sinal de auto-libertação. Mais tarde, em 1956, o presidente Gamal Abdel Nasser ridicularizou publicamente a Irmandade Muçulmana por pressioná-lo a impor um hijab – e os espectadores riram porque não entenderam o que a Irmandade queria dizer com hijab – nas mulheres. A partir de 1996, o Talibã assumiu o poder no Afeganistão forçando as mulheres a se cobrirem, o que a maioria nunca tinha feito até então. No Irã, foi somente depois da revolução de 1979 que o regime islâmico tornou a cobertura da cabeça obrigatória para as mulheres e limitou muitos outros aspectos de suas vidas. Desde então, muitos têm feito campanhas contra a ditadura de regimes religiosos que torturam o corpo das mulheres e suas liberdades. Em 2008, as mulheres iemenitas lançaram uma campanha “Take Off The Veil” em 8 de março de 2008, para coincidir com o Dia Internacional da Mulher. Elas chamaram o hijab de “terrorismo intelectual praticado por grupos individuais e islâmicos”. Em 2014, a escritora iraniana Masih Alinejad lançou o “My Stealthy Freedom” (Minha Liberdade Furtiva) para se opor à lei teocrática no Irã sobre o véu obrigatório, que hoje tem cerca de um milhão de apoiantes. A jornalista e ativista muçulmana indiana Asra Q. Nomani escreveu em sua coluna para o Washington Post: “Não use um lenço em “solidariedade” à ideologia que mais nos silencia, igualando nossos corpos com “honra”. Em vez disso, esteja conosco contra a ideologia do islamismo que exige o uso do véu”.)

    10-(Não existe a diretiva para cobrir os cabelos no Alcorão. Nós, feministas islâmicas do Brasil, não apoiamos a cultura do hijab.)

    11-(Muçulmanas e muçulmanos no Brasil estão tentando calar vozes opositoras.)

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