Nunca subestime o poder da ignorância, do ódio e do medo

Nota: Esse mês me propus a publicar apenas textos sobre mulheres árabes, mas o dia de hoje pede uma exceção
Vocês que vestiram verde e amarelo hoje me envergonham.
Hoje, amigos, conhecidos e parentes apoiaram a maior imbecilidade que eu já vi. Não é questão de ser contra o governo, porque, francamente, existem milhares de pontos a serem altamente criticados na Dilma sim. A questão é que vocês não fazem a menor ideia do que estão criticando. Eu não apoio o que tem sido o governo Dilma, mas sei escolher as minhas bandeiras e com quem me misturo.

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Descolonizando ao(s) quadrado(s): a super-heroína de hijabi.

Texto de Júlia Tibiriçá
 
Não faltam referências ou piadas hollywoodianas para demonstrar o quanto (e não é pouco) a grande indústria das Histórias em Quadrinhos de Super-Heróis reproduz, desde sempre, preconceitos e desigualdades, pautadas não por acaso, pelas maneiras-de-agir-e-pensar consolidadas pelo Ocidente excessivamente ocidental dos norte-americanos. Há mais de setenta anos, o primeiro de muitos Super-Homens inaugura a era de ouro dos quadrinhos e das personagens que compreenderam o espírito de seu tempo, em particular no que se refere à propaganda neoliberal, às entrelinhas orientalistas e ao esforço ímpar de garantir que as mulheres – até quando fossem “super” – estivessem em seus históricos e devidos lugares.

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Uma reflexão tardia sobre Eu matei Sherazade

Texto de Monise Martinez*:
Quando comecei o meu trabalho de investigação sobre a publicação de autobiografias e biografias de mulheres árabes e/ou muçulmanas no mercado editorial português, me deparei com um livro que, apesar de não ter uma edição portuguesa, havia sido publicado em alguns outros países europeus em que edições das obras que eu andava selecionando para análise eram também frequentes. O livro era o Eu matei Sherazade – confissões de uma árabe enfurecida, uma espécie de autobiografia escrita pela jornalista libanesa Joumana Haddad, publicada originalmente em 2010.

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O machismo ortodoxo na “única democracia do oriente médio”

Escrito por Elena Judensnaider:
 
 
 
O texto abaixo descreve opressões a mulheres por meio do judaísmo ortodoxo que, apesar de restrito a grupos específicos, complementa o machismo secular israelense e serve aos propósitos do projeto sionista. Ele procura contribuir para desconstruir a falsa ideia inabalável da democracia judaica. Contudo, apesar de não discorrer sobre o assunto, parto do pressuposto de que qualquer corrente política que prega a eliminação de outro povo não poderia ser menos excludente. Se as mulheres judias são, por vezes, sexualmente reprimidas, elas podem também representar o agente opressor: as mulheres palestinas são duas, três, quatro vezes menos privilegiadas. Elas sofrem por serem mulheres, por serem muçulmanas, por serem palestinas, por serem pobres. Me ative ao judaísmo porque sou judia e não pretendo falar sobre uma aflição que me é tão distante. Mas aproveito o espaço para prestar solidariedade às mulheres palestinas.
 

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Rafeef Ziada – Todos os tons de fúria

 
 
Rafeef Ziadah é uma poeta, acadêmica e ativista política. Refugiada palestina, nasceu no Líbano, após seus pais serem expulsos de seu país pelos sionistas em 1948. Algumas de suas primeiras lembranças são do cerco e bombardeio de Beirute, em 1982.
 
Rafeef começou a escrever poesia após uma performance em um protesto pacífico, durante o qual um homem a chutou no estomâgo e disse “você merece ser estuprada antes que tenha seus filhos terroristas”.

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Quem é a mulher árabe?

 

Por Nathalia Nahas

No dia 8 de Março é celebrado ao redor do mundo o Dia Internacional da Mulher. O dia é observado desde inícios do século XX, época que registrava uma forte expansão no crescimento populacional e turbulência social no mundo industrializado. Mulheres e homens inicialmente tomaram as ruas da Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça para demandarem mais direitos econômicos, sociais e políticos às mulheres. Grandes agitações e debates críticos ocorriam entre elas. Opressão e desigualdade as estimulavam a se tornarem mais vocais e ativas na campanha para a mudança.  Assim, elas marcharam exigindo redução da jornada de trabalho, melhores salários e direito ao voto. Representaram sindicatos, partidos socialistas e clubes de trabalhadoras, mas também realizaram comícios em campanha contra a guerra e contra a fome. Continue lendo