Oslo III

Desato o tabaco do saco de couro e enrolo um cigarro.

Desenrolo labirintos
salamaleikis e bordados
esparramados em tapetes
nas paredes
nos ouvidos
e no chão.

Arabescos de fumaça e brasa nos narguilés
valsa de derbaki e alaúde na quietude do deserto contido no sorriso
palestino
silencia na saudade da cidade que desconhece.

Enquanto isso, uma nova colonia se anuncia no horizonte

E os homens de terno
E os jornais
E os rolos de arame farpado
E os papéis oficiais
E os rolos compressores
E as rodas dentadas dos tanques de guerra comendo o chão de pedra
E os meninos perdidos em pedras e rezas e valas na terra
E a terra perdida em guerras e arames e jornais e ternos e papéis carimbados, protocolados e assinados pelas grandes nações civilizadas
Enroscam
E rasgam
E calam

E assim, fumamos,
esperamos
e a esperança esfumaça
em fogueiras de vaidades
e acordos de paz

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