A carne é fraca

Texto originalmente publicado em 18 de Março, no Medium

Na moral, vocês já viram churrasco grego? Sabe, aquele colosso de carne besuntada de sebo que fica girando na beira da calçada das ruas e avenidas de São Paulo, sendo temperado com poluição atmosférica e fuligem de escapamento? É servido no pão de ontem, junto com um punhado de salada seca que fica guardada numa gavetinha de madeira em cima do motor do rolete. Sei lá, de repente você não curte, mas vou te falar que na hora do almoço a fila no Grego do Paissandú é maior que no starbucks, não só porque o lanche é uma delícia, mas também porque é a fila de quem não tem muito mais do que três reais no bolso. Agora, faz uma experiência: chega lá e conta pra galera sobre essa novidade aí que a carne que eles estão comendo é de procedência duvidosa. Depois me conta como foi.

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Sobre kufiahs e turbantes

Texto originalmente publicado em 12 de fevereiro, no Medium

Quando voltei da Palestina, me perguntava se deveria usar kufiahs — o lenço que é símbolo da luta de libertação daquele povo. Então, conversei com ativistas palestinos, li vários textos feitos por eles e o que eles me disseram é que, no contexto de luta em que eles se encontram, poderia ser positivo que eu usasse esse símbolo (em situações políticas, e não como adereço fashion ou fantasia de carnaval) porque isso é coerente com o objetivo, ideologia e a estratégia de luta específica daqueles grupos organizados dentro daquele país.

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“Não sou racista, é uma questão de higiene”

racismo israelense

“Não sou racista, mas não quero árabes nas nossas piscinas porque os padrões de higiene são diferentes dos nossos”

 
No dia 28 de julho, Moti Dotan, chefe do conselho regional da Galiléa – parte do atual território israelense que compreende a maior diversidade étnica da região – disse, em entrevista à radio Koi Chai, que árabes não deveriam frequentar as piscinas mantidas pelo conselho, pois a sua cultura e hábitos de higiene podem ofender os padrões judaico-israelenses. Ao longo da entrevista, Dotan reforçou diversas vezes que sua opinião não era racista.
 

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Pérolas aos porcos

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Independente das muitas críticas ao governo PT, sou totalmente contra o Impeachment. Ainda assim, uma parte de mim não pode deixar de querer que Dilma saia. Não por não querer a continuidade do seu governo (e não que eu queira a continuidade DESSE governo), mas porque esses bárbaros não valem a pena o que essa mulher passa.

Dilma redefiniu as concepções brasileiras de linchamento moral. Continue lendo

Huda Shaarawi: a primeira feminista do Egito

Hda Sharawi

Huda Shaarawi (23 de junho de 1879 – 12 de Dezembro de 1947) foi uma pioneira no feminismo egípcio e influenciou mulheres em todo o mundo árabe. Nascida em uma família de alta classe, Huda foi criada dentro do sistema de haréns, espaços de convívio exclusivo de mulheres em uma sociedade profundamente patriarcal e segregacionista. Em seu livro The Harem Years, publicado em 1897, Huda conta detalhes desta época, bem como as suas percepções sobre como a sociedade egípcia negava direitos civis e educação às mulheres.

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Empresa israelense oferece empregadas com valor tabelado por etnia

Racismo sionsita - empregadas por etnia

foto do panfleto denunciado pela blogueira Tal Schneider

O trabalho doméstico é, por si, um absurdo. Em Israel, porém, o absurdo ganha sempre novos limites, principalmente quando envolve a exploração de minorias étnicas, e com o trabalho doméstico não poderia ser diferente. Agora, na “única democracia do oriente médio” o valor da exploração do trabalho doméstico de uma mulher é tabelado por origem étnica.

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